domingo, 23 de abril de 2017

A ciência e a agonia da ignorância

Ceres é o maior corpo no cinturão de asteroides. Agora, pela primeira vez, um robô enviado da Terra fez uma longa viagem para o escuro Ceres, revelando que ele é esférico e tem crateras na cor de lama cinza. Exceto em uma delas, ali foram encontrados alguns pontos brilhantes. Estranhos e misteriosos pontos brilhantes.

Segundo informou a NASA a natureza destes pontos brilhantes em Ceres é totalmente desconhecida. Eles poderiam ser gelo altamente reflexivo. Eles poderiam ser depósitos de sal. Ou, eles poderiam ser outra coisa. Ajudaria se eu lhe disser que alguns dos pontos têm formas vagamente piramidal?

Sim, para os fãs de ficção científica, os pontos misteriosos em Ceres só poderiam ser o início de um das grandes histórias do gênero: artefatos alienígenas em um canto escuro do sistema solar à espera de alguém para descobri-los e despertá-los.

Claro, é muito provável que artefatos alienígenas são exatamente o que os pontos brilhantes não são. Mas a verdadeira questão aqui é que nós simplesmente não sabemos.

Por que isso é importante? Bem, claramente, a pergunta “O que diabos são essas malditas manchas brilhantes?” tem uma resposta. E qualquer que seja a resposta ela independe de nossas crenças ou nossas esperanças. Em outras palavras, há uma resposta é ela está lá fora agora. Nós, no entanto, estamos presos à ignorância e a agonia da ignorância.

Há muitas perguntas como esta. Alguns são complexas, outras bastante simples. Temos, por exemplo, uma forte evidência da presença de um oceano profundo escondido abaixo da crosta gelada da lua de Júpiter, Europa. Este oceano realmente existe? Como a vida na Terra começou? O que aconteceu antes do Big Bang? Cada uma dessas questões tem enormes implicações para a nossa compreensão da realidade e do sentido da vida humana aqui na Terra. Mas cada uma delas é tão difícil que pode levar muito tempo para descobri-las. Isso significa que gerações de cientistas vão passar a vida tentando encontrar o caminho para uma resposta e talvez morrer sem encontrá-lo. Isso, também, é a agonia da ignorância.

Eu tenho tantas perguntas para o universo e muitas delas, eu sei como cientista, poderão ser respondidas. Mas as respostas estão além de mim agora e podem continuar assim por toda a minha vida.

Felizmente, eu nasci em uma sociedade onde a ciência tem sido autorizada a florescer e se expandir. Ela revelou a todos nós muito mais do que nossos avós poderiam ter imaginado. Então, talvez eu não saiba se há outras inteligências no universo, mas eu consegui ver muitas coisas na minha vida, incluindo a superfície de um planeta anão. Isso aumenta minha ignorância, no entanto, eu continuo mantendo a esperança que existam mesmo pirâmides em Ceres.

Tradução e resumo do artigo 'Science And The Agony Of Ignorance' de Adam Frank  para o blog 13.7.

domingo, 16 de abril de 2017

Nosso cérebro


Nosso cérebro é limitado e tem que nos ajudar a sobreviver em um ambiente onde a compreensão completa é inalcançável, e a vida é curta demais para sairmos comprovando fatos a cada instante.

Nunca temos certeza se nossa interpretação do mundo é precisa. Com base na informação que encontramos, desenvolvemos crenças sobre o mundo.

Eu não posso imaginar que todos os seres humanos sigam sempre, em todos os aspectos de sua vida e em todos os momentos, uma atitude realista baseada nos fatos.

As ciências usam as observações, os experimentos e a reflexão racional sobre dados empíricos. As religiões sustentam que existem outros métodos também confiáveis, como a intuição, a revelação ou a interpretação de textos sagrados.

Convencer com argumentos e com rigor é muito mais complicado do que fazê-lo com emoções, capazes de comover e de gerar esperanças. Fazer com que as pessoas tenham mais confiança na ciência e menos na interpretação religiosa é o grande desafio também do agnóstico. 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Um conhecimento confiável sobre o mundo


"A ciência não é apenas um saco de truques úteis para compreender a física ou a biologia, mas sim um método mais geral e uma atitude racional baseada no modesto princípio de que as afirmações empíricas devem ser sustentadas por provas empíricas". 

Alan Sokal, físico e matemático da Universidade de Nova York.